Exposição “Zonas de Transição”, de Carlo Batistella, abre dia 26 de março na Legado Galeria

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A Legado Galeria apresenta, a partir do dia 26 de março, a exposição “Zonas de Transição”, do artista Carlo Batistella, com curadoria de Débora Duarte. A mostra reúne
um conjunto de pinturas recentes que investigam a paisagem do Cerrado como território em constante transformação.

Conhecido inicialmente por trabalhos vinculados ao hiper-realismo, Batistella apresenta nesta nova fase uma pesquisa pictórica que se aproxima do campo de certa
abstração ou, minimamente, de uma diluição visual do que seria eminentemente formador de uma imagem realista. Antes, a formação da imagem se dá pelo conjunto de
elementos que, em um compósito transitório, reúnem a paisagem presentificada.

A natureza, enquanto objeto, permanece como eixo central de sua produção, mas passa a ser construída por meio de campos cromáticos, ritmos gráficos e densas estruturas de
hachuras, que evocam a textura da vegetação e a materialidade do solo cerratense.

Nas telas, predominam tonalidades terrosas – ocres, ferrugens e verdes opacos – que remetem diretamente ao Cerrado brasileiro. A pintura, nesse sentido, se constrói
como uma espécie de sedimentação visual, em que camadas de pigmento sugerem tanto a geografia deste bioma quanto os processos históricos que o transformam, antrópicos ou não. Em algumas obras, por exemplo, a presença do fogo aparece como imagem recorrente, evocando as tensões entre regeneração natural e devastação ambiental que marcam a história recente do bioma.

O conceito de zonas de transição, que dá título à exposição, atravessa a proposta curatorial como uma linha tênue que não busca definir a nova fase do artista, mas institui-la como uma passagem entre as linguagens pictóricas que o interpelam. No campo da ecologia, essas zonas correspondem aos espaços de contato entre diferentes
biomas. Na pintura de Batistella, esse princípio se traduz em composições que operam nos limites entre figuração e abstração, entre memória e invenção da paisagem.

Mais do que representar um lugar específico, as obras ativam uma memória coletiva do território, construída a partir de elementos recorrentes do Cerrado — campos abertos, matas verticais, abundância de águas, relevos e horizontes extensos —reorganizados em composições que convidam o público a refletir sobre as relações entre
paisagem, cultura e transformação ambiental.

A exposição “Zonas de Transição” inaugura no dia 26 de março, na Legado Galeria, reafirmando a pintura ainda como um campo sensível de reflexão sobre o território e suas permanentes mudanças, abrangido não só pela própria paisagem, mas também pela própria linguagem de Batistella,incontestavelmente em uma zona de transição permanente.

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