Acompanhado por mais de mil e cem drones, Alok bateu o próprio recorde latinoamericano, trazendo uma mensagem que reafirma o poder transformador da música e reverbera com acontecimentos recentes pelo mundo
Eram aproximadamente 21h45 quando as luzes do palco principal do Tomorrowland Brasil se apagaram para anunciar o show de Alok. Além disso, o momento aconteceu poucos dias depois de o artista ter sido anunciado no Top 3 global pela revista britânica DJ Mag. Como de costume, a famosa e profunda voz de conto-de-fadas que marca as transições entre artistas trouxe a narrativa do festival. Ademais, neste ano de 2025 no Brasil, o tema escolhido para o evento foi “LIFE”. Ao chegar no que todos acreditavam que seria seu ápice, com a abertura da flor central da cenografia, surgiu expectativa geral. Nesse momento, no céu do Parque Maeda, no interior de São Paulo, mais de mil e cem drones criaram uma extensão luminosa impressionante. Assim, a voz narrava uma história inédita com mensagem de autenticidade, confiança e união co-criada entre artista e festival.
Alok tem expandido as possibilidades da música eletrônica ao transformar suas apresentações em experiências imersivas marcantes para o público. Dessa forma, ele conecta pessoas e culturas, enquanto amplia a consciência coletiva sobre pautas urgentes como a sustentabilidade na sociedade. Assim, sua abordagem integra identidade visual futurista, performances monumentais e alta tecnologia para criar shows inovadores. Alok claramente tem o propósito de ser mais do que um showman. Ele acredita que a música é uma força transformadora, de grande impacto social.
Assim, no Tomorrowland Brasil deste ano, nada era mera coincidência. Alok estava ali para mostrar que a música eletrônica pode ser uma linguagem universal, uma ponte entre pessoas e sonhos, capaz de mudar nossa forma de sentir e entender o mundo – ou, como ele afirmou na edição belga, “rejeitar a ideia do impossível”. Consolidado como o principal nome brasileiro no lineup do festival, Alok mostrou neste ano que está disposto a perpetuar seu nome na história do evento.
“Estar cercado por tantas mentes e corações incríveis que tornam essa experiência possível, apesar de todos os desafios que envolvem algo desse tamanho, é um privilégio imenso. É especial, é inspirador e profundamente gratificante fazer parte de algo que transcende o palco em uma verdadeira celebração da arte, da união e da energia humana” – declarou o artista.
Tecnologia, emoção e recordes nos céus do Tomorrowland
Os drones, característicos das grandes apresentações do artista, aparecem em número cada vez maior e impressionam o público. Inclusive, dessa vez, eles bateram novamente o recorde latino-americano para performances do gênero, destacando a grandiosidade do show. Mais do que isso, a forma como ampliam a experiência sensorial mostra que o céu não é mais o limite nas performances de Alok. Os desenhos formados, que puderam ser vistos a grandes distâncias, polinizaram o público do Tomorrowland com partículas de esperança e deslumbramento.
No setlist, havia uma seleção de faixas que muitos consideram ter superado até mesmo o set do próprio Alok. Além disso, no Tomorrowland Brasil 2024 recebeu o título de “melhor performance do ano” nos Electronic Dance Music Awards (EDMAs). Em diversos momentos marcantes do show, sentimos a energia contagiante de “Allein Allein”, emocionando o público. Logo depois, muitos foram às lágrimas ao vivenciarem a intensidade da performance que tomou conta do ambiente. Por essa razão, Alok encerrou presenteando o público com “To The Moon”, criada com Illenium e muito aguardada.
Para além da grandiosa apresentação no palco principal, Alok também esteve presente no lineup do primeiro dia do Tomorrowland Brasil no palco Crystal Garden, com seu projeto Something Else. Num formato mais despojado, ele se divertiu e atraiu uma multidão interessada em conhecer o seu “lado B”, com ótima repercussão não apenas entre seus fãs tradicionais mas também com a comunidade adepta de estilos mais distantes do mainstream.
Alok vem redefinindo aquilo que um artista de música eletrônica pode ser. Ele entende a cultura como elemento vivo, em constante movimento, capaz de ser catalisadora de mudanças positivas no mundo. A cada novo show, ele mostra que é possível conciliar tradição e modernidade, espiritualidade e tecnologia, entretenimento e consciência, atitude e emoção. Assistir Alok no Tomorrowland Brasil não foi apenas ver e ouvir um grande artista – foi essencialmente sobre sentir e se conectar.




Fotos: Filipe Miranda

