Volume idealizado pelo Instituto TeArt reúne 150 obras, que abordam desde o acidente com o césio-137 aos ataques de 8 de janeiro; lançamento ocorre em Goiânia e São Paulo
Um dos nomes centrais da arte contemporânea brasileira, o goiano Siron Franco, 78, tem sua trajetória de seis décadas revista na monografia “Pensamento insubordinado”. Organizada pelo pesquisador espanhol Ángel Calvo Ulloa, a publicação é uma realização conjunta do Instituto TeArt e do Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás. O volume será lançado com distribuição gratuita em Goiânia (12/5) e em São Paulo (14/5).
Com mais de 300 páginas e design de Celso Longo e Daniel Trench, o volume apresenta um ensaio biográfico de Charles Cosac e textos críticos de Andrea Giunta, Paulo Herkenhoff, Lucia Bertazzo e do próprio Ulloa. Destaca-se ainda a coordenação editorial assinada pelas experientes jornalistas e editoras Paula Alzugaray e Juliana Monachesi. A proposta da dupla entrelaça os ensaios e as obras catalogadas com documentos do arquivo do artista. São catálogos históricos, matérias de jornais, recortes de revistas, fotografias, registros de montagens, entre outros formatos.
“O livro mostra um Siron Franco total. Não só o pintor influente desde os anos 1970, mas também aquele que, historicamente, se preocupa com tudo o que se passa à sua volta”, afirma Ulloa.
De forma inédita, o livro apresenta uma seleção da série “Césio”, realizada após o desastre radiológico em Goiânia, em 1987. O conjunto foi definido pela crítica Bélgica Rodríguez como a “Guernica brasileira”, em referência à obra de Picasso.
A monografia também alcança a produção recente do artista, impactada pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Siron dedicou uma série de pinturas ao episódio, que agora dialogam com sua crônica política iniciada nos subúrbios de Goiânia há 60 anos.
O presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás e vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Marcelo Baiocchi Carneiro, descreve a obra de Siron como forte maneira de expressão social em meio ao relevante papel da arte. “Uma das missões do Sistema é promover o diálogo cultural e quando participamos de um projeto que documenta a arte de Siron e todos os temas que ele trabalha, estamos contribuindo para o fortalecimento da história e da vivência goiana, brasileira e também mundial”, pontua.
Conforme o diretor regional do Sesc e Senac Goiás, Leopoldo Veiga Jardim, o artista consegue discutir assuntos de grande relevância social por meio da pintura de maneira robusta e contundente. “A arte arrebatadora de Siron converge o debate de temas de alto impacto social em uma profunda reflexão do que o ser humano é capaz de ver e vivenciar. Ao estudar seus trabalhos somos convidados a uma verdadeira contemplação e estamos presentes neste projeto porque a inquietude de Siron em temas sociais é urgente. Falar sobre violência contra a mulher, a sombra da desigualdade social, as marcas da ditadura militar e do acidente com o césio 137, entre outros infinitos temas, é uma necessidade incessante e o Sistema Fecomércio Sesc Senac entende a amplitude e o significado disso para a valorização da cultura que não somente comunica, mas também dialoga e questiona”, destaca.
Lançamentos e debates
O lançamento em Goiânia acontece no dia 12 de maio, às 19h, na Vila Cultural Cora Coralina. O evento terá debate entre Siron Franco, Ángel Calvo Ulloa e Juliana Monachesi, com mediação de Rita Wirtti, diretora do Instituto TeArt, seguido de sessão de autógrafos. No mesmo local, o público também pode visitar a mostra ‘Expressões’, que reúne cem obras de Siron produzidas entre as décadas de 1970 e 1980, em cartaz até 6 de julho.
Já em São Paulo, o lançamento acontece no dia 14 de maio, às 19h30, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP. O evento contará com uma conversa entre Ángel Calvo Ulloa e Juliana Monachesi, também com mediação de Wirtti.


