A Revista Stile conversou com a empresária Dani Barros, uma das responsáveis pela consolidação e expansão da marca Cris Barros, referência nacional em moda autoral e design sofisticado.
Na entrevista, Dani compartilha a visão estratégica por trás do crescimento da marca, explica por que Goiânia se tornou um mercado relevante e revela os elementos criativos da coleção GRAZIE AW26, que traduz um momento de maturidade estética e conceitual da label.
Confira a entrevista.

STILE: Como nasceu a Cris Barros e o que permanece inegociável na essência da marca?
DANI BARROS: A Cris Barros nasceu em 2002 a partir do olhar autoral da Cris, mas desde o início foi construída com uma visão de longo prazo. Quando entrei na empresa, em 2004, meu papel foi estruturar processos, consolidar estratégias e profissionalizar a operação para que essa identidade criativa pudesse crescer de forma sólida e sustentável. O que permanece inegociável é justamente essa combinação entre autoria e consistência. A marca sempre parte de um produto com construção, qualidade e storytelling muito claros. Não abrimos mão de criar peças com valor emocional, que transcendam o tempo e se oponham à lógica da moda descartável. Crescimento, para nós, só faz sentido se vier acompanhado de identidade preservada.
STILE: Por que Goiânia se tornou um mercado estratégico para a marca?
DANI BARROS: Goiânia é um polo muito relevante no cenário nacional de moda. É uma praça com cultura de consumo consolidada, onde há valorização de produto, construção e diferenciação. Dentro da nossa estratégia de expansão — que prioriza rentabilidade e posicionamento, e não apenas escala — faz sentido estar em mercados que dialogam com o nosso perfil de cliente. Acreditamos em crescimento sustentável, com presença qualificada e conexão genuína com o público local. Goiânia se encaixa nesse cenário por reunir sofisticação, apetite por moda autoral e consistência de demanda.
STILE: Como a mulher goiana se identifica com o DNA da Cris Barros?
DANI BARROS: A mulher da Cris Barros valoriza identidade, qualidade e construção. Ela busca peças que tenham informação de moda, mas também atemporalidade e acabamento impecável. Percebemos que a mulher goiana tem uma relação muito forte com feminilidade, presença e cuidado com a imagem. Isso conversa diretamente com o nosso trabalho de alfaiataria repensada, silhuetas estruturadas, riqueza de materiais e atenção ao detalhe. Existe uma identificação natural com essa combinação entre força e sofisticação que faz parte do nosso DNA.
STILE: Qual é a peça-chave da GRAZIE (AW26) e o que ela representa dentro da coleção?
DANI BARROS: Em GRAZIE, os vestidos são as peças que melhor traduzem o conceito criativo da coleção. É neles que a ideia de construção aparece de forma mais evidente, seja nas transparências calculadas, nos recortes precisos ou nas sobreposições que criam profundidade e movimento. As rendas, tules, organzas e superfícies texturizadas reforçam essa leitura arquitetônica, enquanto o poá, explorado em diferentes escalas e materiais, adiciona identidade visual marcante. Os vestidos sintetizam essa maturidade criativa: equilibram estrutura e leveza, passado e presente, técnica e emoção — elementos que definem GRAZIE e o momento atual da marca.

